Entender que as práticas corporais acontecem originariamente em espaços distintos daqueles concebidos na escola, procurar identificá-las no contexto comunitário e trazê-las de forma legítima para o currículo é o eixo principal desta aula. As práticas corporais denotam, para além do mero caráter físico e espacial, também as relações sociais que são tecidas na vivência dos grupos que lhes deram origem, gerando experiências carregadas de significado. Atenta aos acontecimentos ligados à cultura corporal e manifestados na sociedade, a escola pode se aproximar dessas práticas sociais e concebê-las de forma crítica no currículo, refletindo de forma mais ampla sobre a cultura, seus mecanismos de legitimação e predomínio nos meios de comunicação de massa.
Relembrando: para os estudos culturais, a cultura é um campo de luta para validação de significados.
Cultura corporal é toda produção simbólica que envolve as práticas corporais.
Todos grupos culturais possuem uma parte da cultura que se refere às práticas culturais.
Na perspectiva da cultura corporal, as manifestações corporais agregam os elementos da gestualidade sistematizada.
O gesto é um movimento com significado (diferente de um movimento funcional).
A gestualidade está relacionada ao sentido que aquela prática cultural tem em determinada comunidade, grupo social.
Cada comunidade ou grupo social produz uma gestualidade que lhe permite veicular os significados de mundo.
Em todas as comunidades são cultivados determinados textos da cultura corporal.
Trazer essas questões para dentro do currículo necessita pensar certos princípios.
Princípios Curriculares
- enraizar as identidades: de que maneira deteminadas práticas corporais possuem sentido naquela comunidade. Aquela prática corporal eleita para compor o currículo tem relação com a comunidade? Está enraizada?
- justiça curricular: a sociedade é ampla e diversa. Historicamente, a escola privilegiou certas práticas culturais corporais e excluiu outras. Se o norte de escolha for a cultura popular, pode haver um equlíbrio dentro do currículo.
- evitar o daltonismo cultural: a escola precisa reconhecer o arco-íris de cultura. Pensa-se que, ao se proporcionar a mesma experiência para todos ou proprocionar só para que já sabe, garante-se o desenvolvimento equilibrado das habilidades planejadas pelo professor. Cada um de nós vivencia as práticas corporais de forma diferente, nós nos apropriamos dos elementos da cultura corporal de forma diferente.
- ancoragem social dos conteúdos: que todas as práticas corporais selecionadas para o currículo tenham significado na prática no cotidiano.
Obs.: pela proposta, as práticas corporais não seriam utilizadas para desenvolvimento de coordenação, lateralidade, respiração acuidade visual e auditiva... infelizmente!
Orientações didáticas:
- Mapeamento da cultura corporal;
- Ressignificação das práticas corporais;
- Aprofundamento dos conhecimentos;
- Ampliação dos conhecimentos.

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